quarta-feira, 14 de outubro de 2009




























Vem !
- Uma flauta invisível
Vem ! - Uma flauta invisível
Suspire perto dos vergéis
- A canção mais tranqüila
É a canção de pastores.
O vento sopra, debaixo dos galhos ,
O espelho escuro das águas.
- A canção mais feliz
É a canção de pássaros.
Aquele cuidar atento não te atormenta.
Nos amamos ! amamos sempre!
- A canção mais encantadora
É a canção de amores.
.
Victor Hugo





"A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da Terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem".
(Monteiro Lobato)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Crianças






















Crianças são alegres como pássaros
São doces como mel
Têm cheiro de chuva
Crianças são simples
São radiantes como um dia de sol
Crianças são espetaculares
São saltitantes como pirilampos
São amorosas e transparentes
Crianças são anjos sem asas
São música sem pausa.

Nana Pereira



domingo, 11 de outubro de 2009

Conselho




Cerca de grandes muros quem te sonhas.

Depois, onde é visível o jardim

Através do portão de grade dada,

Põe quantas flores são as mais risonhas,

Para que te conheçam só assim.

Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que os outros têm,

Onde os olhares possam entrever

O teu jardim como lho vais mostrar.

Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,

Deixa as flores que vêm do chão crescer

E deixa as ervas naturais medrar.

Faze de ti um duplo ser guardado;

E que ninguém, que veja e fite, possa

Saber mais que um jardim de quem tu és

Um jardim ostensivo e reservado,

Por trás do qual a flor nativa roça

A erva tão pobre que nem tu a vês...

Fernando Pessoa

Aparição



























E eu acreditei ver a fada
com o chapéu de luz
que outrora nos meus sonhos
de criança mimada passava,
deixando sempre de suas mãos entreabertas
nevar brancos buquês
de estrelas perfumadas.

Stéphane Malarmé

sábado, 10 de outubro de 2009

Astronomia




Vou buscar uma das estrelas que caiu
do céu, esta noite. Ficou presa a um
ramo de árvore, mas só ela brilha,
único fruto luminoso do verão passado.

Ponho-a num frasco, para não se
oxidar; e vejo apagar-se, contra
o vidro, à medida que o dia se
aproxima, e o mundo desperta da noite.

Não se pode guardar uma estrela. O
seu lugar é no meio de constelações
e nuvens, onde o sonho a protege.

Por isso, tirei a estrela do frasco e
meti-a no poema, onde voltou a brilhar,
no meio de palavras, de versos, de imagens.

Nuno Júdice

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
























No calendário da vida há datas que não são lembradas,
mas há momentos inesquecíveis.
Vinícius de Moraes



"No fundo, um escritor é um bocado um ladrão, um gatuno de sentimentos, de emoções, de rostos, de citações. Um livro é sempre feito de pequenos roubos com a vantagem de não sermos condenados."

António Lobo Antunes