Há uma doçura imprevista em sentir-se flutuar na correnteza das horas em sentir-se folha, reflexo, coisa levada; coisa que se sabe tal, coisa sabida, mas preguiçosa.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 27 de abril de 2010
"As mandragóras exalam o seu perfume, e à nossa porta há todo tipo de frutos finos, secos e frescos, que reservei para você, meu amado" (Cântico dos Cânticos 7: 13)
domingo, 25 de abril de 2010
(...)e eu digo o tempo todo:o teu ser é conjunto do meu,assim adoçamos nossas vidas... Caio Fernando de Abreu
sábado, 17 de abril de 2010
"Quando se tira um vestido velho do baú, Um vestido que não é para usar, só para olhar. Só para ver como ele era. Depois a gente dobra de novo e guarda, mas não se cogita em jogar fora ou dar.
Um rei tinha presenteado sua filha, a princesa, com um belo colar de diamantes. O colar foi roubado e as pessoas do reino procuraram por toda a parte sem conseguir encontrá-lo. Alguém disse que um pássaro poderia tê-lo levado, fascinado pelo brilho. O rei então anunciou uma recompensa de $ 50.000 para quem o encontrasse.
O tempo passou e um dia um rapaz caminhava de volta para casa ao longo de um lago ao lado de uma área industrial. O lago estava completamente poluído, sujo e com um mau cheiro terrível. Enquanto andava, o rapaz viu algo brilhar no lago e quando olhou viu o colar de diamantes. Decidiu pegá-lo, de forma que pudesse receber os $ 50.000 de recompensa. Pôs sua mão no lago imundo, mas de alguma forma perdeu o colar e não o pegou. Tirou a mão para fora e olhou outra vez e o colar estava lá, imóvel. Recomeçou. Desta vez entrou no lago e, emporcalhando sua calça no lago imundo, afundou seu braço inteiro para pegar o colar.
Mas, estranhamente, ele perdeu o colar novamente! Saiu e começou a ir embora, sentindo-se deprimido. Então, outra vez ele viu o colar, bem ali. Resolveu tentar novamente e desta vez ele iria pegá-lo, não importava como. Decidiu mergulhar no lago, embora fosse algo repugnante de fazer, tal a sujeira era a lama do lago. Seu corpo inteiro tornou-se imundo. Mergulhou e mergulhou e procurou por toda parte pelo colar, mas fracassou novamente. Desta vez ele ficou realmente aturdido e saiu, sentindo-se mais deprimido pela derrota.
Um velho que passava por ali o viu e perguntou-lhe o que estava havendo. O rapaz não quis compartilhar o segredo com o velho, pensando que ele poderia tomar-lhe o colar para si; então recusou-se a explicar a situação. Mas o velho pôde perceber que o rapazinho estava incomodado e, sendo compassivo, outra vez pediu que lhe contasse qual o problema e ainda prometeu que não contaria nada para ninguém. O rapaz reuniu alguma coragem e, como já dava o colar como perdido, decidiu contar tudo ao velho. Falou sobre o colar e como ele tentou pegá-lo, mas havia fracassado.
O velho então lhe disse que talvez ele devesse olhar para cima, em direção aos galhos da árvore, em vez de olhar para o lago imundo. O rapaz olhou para cima e, para sua surpresa, o colar estava pendurado no galho de uma árvore. Tinha, o tempo todo, tentado capturar um simples reflexo.
( Desconheço o autor)
O colar de Carolina Com seu colar de coral, Carolina corre por entre as colunas da colina
O colar de Carolina colore o colo de cal, torna corada a menina.
E o sol, vendo aquela cor do colar de Carolina, põe coroas de coral
nas colunas da colina.
Cecília Meireles
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Ganhaste meu coração com um só de teus olhares com um só pingente dos teus colares
Como tuas doçuras são belas!
Haroldo de Campos
domingo, 11 de abril de 2010
"É a paixão que está em um beijo que dá a ele sua doçura; é o afeto em um beijo que o santifica."
Christian Nevell Bovee
"Palavras suaves são como favos de mel, doçura para a alma e saúde para o corpo."
Salomão
"A doçura dos lábios aumenta o saber"
Salomão
"Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo."
Salomão
"O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova. "
Miguel Torga
A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura. Às vezes é preciso recolher-se.
Lya Luft
"A árvore não prova a doçura dos próprios frutos; o rio não bebe suas próprias ondas; as nuvens não despejam água sobre si mesmas. A força dos bons deve ser usada para benefício de todos." ( Provérbio )
"Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."
Um fascínio misterioso Sensações nem sei de quê, É poesia, é doçura, Nenhum sabor de amargura, É o perfume de você...
Um enigma a desvendar, Sua chegada antevê... Antecipa as delícias De suas fatais carícias O perfume de você...
Um mistério que arrebata, Quando a gente se revê... Mesmo após remir a chama, Permanece em nossa cama, O perfume de você...
Delicado e colorido Como as flores num buquê, Companheiro de verdade, Em presença ou na saudade, É o perfume de você...
Eternamente, a exalar O amor que a gente crê... Inebriante como agora, Sentirei na vida afora, O perfume de você!
Oriza Martins
Teu olhar faz a volta do meu coração, Uma roda de dança e de doçura, Auréola do tempo, berço noturno e seguro, E se não sei mais o que tenho vivido É porque teus olhos nem sempre me enxergaram.
Folhas do dia e musgo do rocio, Caniços do vento, sorrisos perfumados, Asas que cobrem o mundo de luz, Barcos carregados de céu e mar, Caçadores de ruídos e fontes de cores.
Aromas nascidos de uma ninhada de auroras Que sempre jaz sobre a palha dos astros, Como o dia depende da inocência O mundo inteiro depende dos teus olhos puros E o meu sangue todo flui nos olhares deles.
Paul Eluard
Somente em mulheres divinas, a Beleza extrapola no olhar... à doçura excede o perfume, e a amorosidade, o carinho e o afeto, traduzem-se no toque das mãos.
[Capítulo Quinto, aforismo XLI do livro ESCRITOS REUNIDOS]
Fala-me de ti com acentos de mar e jeito de vento Fala-me com a doçura dos beijos queimando a minha pele na ânsia do tormento em que me gasto expectante
As minhas palavras de amor escreveste-as na areia e perderam-se as que me vieram de ti ainda correm no meu sangue como emocionada lava ardente
Fala-me de ti com o peso dos silêncios Porque inúteis são todas as palavras no arrepio de vontades e sedes ou quando te recupero das redes do amor e te gasto combustando-me no teu fogo
Fala-me de ti.
Edgardo Xavier
Os homens que se emocionam com as paixões são capazes de ter mais doçura na vida. René Descartes
Cada palavra sua é uma pérola. Quando você fala é como se estivesse chovendo pérolas. Isto é chamado de doçura. Todos que o ouvem deveriam ficar inspirados para aprender. As palavras deveriam ser tais que todos as gravariam e ouviriam aquilo seguidas vezes. Portanto deixe que suas palavras tenham esta doçura. As vibrações de tais doces palavras automaticamente se propagam no mundo. Cada palavra sua deveria ser grandiosa.
Com que doçura esta brisa penteia a verde seda fina do arrozal – Nem cílios, nem pluma, nem lume de lânguida lua, nem o suspiro do cristal.
Com que doçura a transparente aurora tece na fina sede do arrozal aéreos desenhos de orvalho! Nem lágrima, nem pérola, nem íris de cristal...
Com que doçura as borboletas brancas prendem os fios verdes do arrozal com seus leves laços! Nem dedos, nem pétalas, nem frio aroma de anis em cristal.
Com que doçura o pássaro imprevisto de longe tomba no verde arrozal! – Caído céu, flor azul, estrela última: súbito sussurro e eco de cristal.
Cecília Meireles
Felicidade deveria ser palpável. Uma coisa que pudesse segurar e pôr em algum lugar seguro, como uma caixa com tampa ou uma garrafa com rolha. E, mais tarde então, quando estivesse muito triste, que fosse possível tirar, olhar, sentir, cheirar e ser feliz novamente" (Victoria) Rosamunde Pilcher
terça-feira, 6 de abril de 2010
A chuva chove... A chuva chove mansamente...como um sono Que tranquilize, pacifique, resserene... A chuva chove mansamente...Que abandono! A chuva é a música de um poema de Verlaine... E vem-me o sonho de uma véspera solene, Em certo paço, já sem data e já sem dono... Véspera triste como a noite, que envenene A alma, evocando coisas líricas de outono..."