quarta-feira, 4 de julho de 2012
O Eterno Espanto
Que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?
Mario Quintana
terça-feira, 3 de julho de 2012
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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Vento
Poesis
A poesia é algo assim
Como uma dúbia certeza,
Aposta de um tudo
No oco intraduzível do nada,
Algo como a luz-menina dos olhos
Entreabrindo a opacidade,
Sumo delicado
Espremido de alegrias
E enfermidade,
Efemérides
E ainda um certo milagre,
Pérola pescada -
Insípida borboleta dos dias
Pela magia do verbo eterno
Encantada.
(F. Campanella)
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Fernando Campanella
As estrelas
Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.
Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.
Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.
Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!
Cruz e Sousa
Vento
Passaram os ventos de agosto,levando tudo.
As árvores humilhadas bateram,bateram com os ramos no chão.
Voaram telhados,voaram andaimes,voaram coisas imensas:
os ninhos que os homens não viram nos galhos
e uma esperança que ninguém viu,num coração.
Passaram os ventos de agosto,terríveis,por dentro da noite.
Em todos os sonos pisou,quebrando-os,o seu tropel.
Mas,sobre a paisagem cansada da aventura excessiva - sem forma e sem eco,
o sol encontrou as crianças procurando outra vez o vento
para soltarem papagaios de papel.
Cecília Meireles
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Esboço
Antes, somos sedas a esmo
Projetos libélula, bichos voláteis.
Antes é o esboço, o mais raso ensaio.
O amor chega no remanso dos ventos,
No ressaca dos atos.
O amor vinga mais tarde.
Fernando Campanella
Ninféias
Eu vou aonde as nuvens
de impossíveis tons se embriagam,
eu nado onde aquáticos leques
se irisam em sonhos
e por arte do encanto se dissolvem.
Eu furto cores,
clico roxos que se miram
em espelhos que me expandem.
Bebo a luz, traço a alma,
eu sou o impressionista ambulante.
Então nem me perguntes
por quais cambiantes geografias me espalho:
meus olhos são câmeras mimadas
meus pincéis são artífices do instante.
(F. Campanella)
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