sábado, 30 de janeiro de 2010

Confiança


















O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Miguel Torga

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

















Se nos encontrarmos
outra vez no crepúsculo da
memória, conversaremos
de novo e cantareis para
mim uma canção mais profunda.
E se nossas mãos se encontrarem
noutro sonho, construiremos
mais uma torre no céu."

Khalil Gibran





















Ah, toca suavemente
Como quem vai chorar
Qualquer canção tecida
De artifício e de luar...
Nada que faça lembrar
A vida.
Prelúdio de cortesias,
Ou sorriso que fanou...
Jardim longínquo e frio...
E na alma de quem o achou
Só o eco absurdo do vôo
Vazio.

Fernando Pessoa



















Entre as palavras,
existem para cada falante as prediletas e as estranhas,
preferidas e evitadas, cotidianas -
que se usam mil vezes sem temer o desgaste -
e outras - solenes - que, por mais que as amemos,
só pronunciamos ou
escrevemos com cuidado e reflexão,
como objetos raros:
fazendo as escolhas que correspondem
a essa sua solenidade.
Entre elas está para mim a palavra:

Felicidade

Hermann Hesse


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


















"A felicidade não entra em portas trancadas..."

















Ame profunda e apaixonadamente. Você pode sair ferido, mas essa é a única maneira de viver a vida completamente.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Lacrimosa





























Hoje chove muito, muito,
e chove tanto,
parece que estão lavando o mundo
Chuva bendita, chuva sagrada
Debruço na janela para ver a rua molhada
Alegro-me a ouvir a chuva caindo,
O ruído no telhado da varanda,
O silêncio dos pássaros na torre da igreja
A Lacrimosa de Mozart tocando baixinho,
Um cachorro vira-latas a correr atrás do mendigo,
As gotas da chuva rolando na cúpula da igreja,
A chuva cai levemente, com gosto de céu
lavando as folhas da romanzeira,
Contemplo as flores que bailam sob a chuva,
Soa o canto do coro, levado pelo vento ,
repetindo Amém.........Amém...

Nana Pereira

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ausência




























Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia De Mello B.Andresen