quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Soneto 54
Oh, como a beleza parece mais bela
com o doce ornamento que a verdade produz!
A rosa tão bela, mas mais bela a julgamos
Pelo doce aroma que nela seduz.
As rosas silvestres têem a cor tão profunda
Quanto a tintura das rosas perfumadas,
Têem os mesmos espinhos e brincam tão vivamente
Quando o sopro do verão expõe os botões velados;
Mas exibem-se apenas para si mesmas,
Vivem esquecidas e murcham obscuras;
Morrem sozinhas. As doces rosas, não;
De suas doces mortes surgem as mais doces essências.
e assim também a ti, a bela e adorável mocidade,
Fenecido o frescor, revela em versos tua verdade.
Shakespeare
Poderei comparar-te a um dia de Verão?
Mais serena, tu és também sempre mais amável:
Os fortes ventos de Maio os brotos oscilam,
E o prazo do verão é sempre inconsolável:
Intenso demais às vezes, brilha o olho estelar,
E, não raro, se ofusca a luz de seu semblante,
Infausto, o encanto do encanto irá abdicar,
Por mera chance ou pelo destino inconstante;
Mas teu verão, eterno é e jamais morrerá,
E não hás de perder o encanto que possuis;
E sob a sombra da Morte tu não vagarás,
Pois em versos eternos tu e o tempo sois iguais:
Enquanto os olhos possam ver e o homem viver,
Vive este canto, e dar-te vida é o seu dever.
Shakespeare
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
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