Um rei foi ao seu jardim e encontrou as árvores, arbustos e flores definhando e morrendo. O carvalho disse que estava morrendo porque não podia ser alto quanto o pinheiro. Já o pinheiro murchava porque era incapaz de dar uvas como a parreira. E a parreira morria porque não podia desabrochar como a roseira. Então, ele encontrou uma planta florida e viçosa. Era o amor-perfeito que lhe deu a seguinte explicação:
Supus que quando me plantou você queria um amor-perfeito. Se quisesse carvalho, parreira ou roseira, você os teria plantado. Então, pensei que como não posso ser ninguém além de mim mesmo, tentarei sê-lo da melhor maneira possível.
(Autor desconhecido)
Acho uma boa reflexão para o Ano Novo que se inicia!Sejamos como o amor perfeito!
Sou eu que faço você sofrer? Ou é você que sofre por minha causa? Ou, ainda, é você que sofre por sua própria causa? Chegar a essa pergunta (leva anos e anos) e é essencial na relação do amor. A resposta demandará muito tempo, sofrimento e, em cada caso, será diferente. Mas, se encontrada, melhorará qualquer relação. Ou constatará o seu término. Proponho, como exercício, uma atitude de troca. Onde se lê sofrer, leia-se feliçar (eu feliço, tu feliças, ele feliça, nós feliçamos, vós feliçais, eles feliçam). Por que felicidade não tem verbo? A pergunta, então ficaria: Sou eu que faço você feliz, ou é você que feliça por minha causa? Curiosa e masoquista a vida. O verbo sofrer é complicado. Feliçar é simples.Por que a gente prefere conjugar o sofrer?
Arthur da Távola
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Quando quiseres me amar, não escolhas tempo nem lugar. Deixarei a porta aberta, a casa limpa, uma saudade te esperando em cada canto.
Eu gosto de fazer poemas de um único verso. Até mesmo de uma única palavra Como quando escrevo o teu nome no meio da página E fico pensando mais ou menos em ti Porque penso, também, em tantas coisas... em ninhos Não sei por que vazios em meio de uma estrada Deserta... Penso em súbitos cometas anunciadores de um Mundo Novo E — imagina! — Penso em meus primeiros exercícios de álgebra, Eu que tanto, tanto os odiava... Eu que naquele tempo vivia dopando-me em cores, flores, amores, Nos olhos-flores das menininhas — isso mesmo! O mundo Era um livro de figuras Oh! os meus paladinos, as minhas princesas prisioneiras em suas altas torres, Os meus dragões Horrendos Mas tão coloridos... E — já então — o trovoar dos versos de Camões: — "Que o menor mal de todos seja a morte!" Ah, prometo àqueles meus professores desiludidos que na próxima vida eu vou ser um grande matemático Porque a matemática é o único pensamento sem dor... Prometo, prometo, sim... Estou mentindo? Estou! Tão bom morrer de amor! e continuar vivendo...
Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
Quando seu silêncio emudecer no meu, e os dois se acasalarem numa plenitude imoral, é chegado o sinal de que nosso amor é bem possível. Amar é tornar a quietude indivisível.